sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A Arena desmorona

Depois de ler o relatório oficial de uma comissão do Grêmio sobre a transação Olímpico x Arena (confira no blog do Grêmio Sempre Imortal: http://sempreimortal.wordpress.com), fiquei ainda mais convencido de que, do jeito que está proposto, o negócio deve ser desfeito. E será desfeito, não tenho dúvida.

O relatório é de dezembro do ano passado, e se tudo que ali está é realmente verdadeiro e/ou não sofreu alteração, fica difícil entender como o contrato com a OAS ainda não foi rompido.

Resumindo e simplicando, o negócio, que realmente só é bom mesmo para a empreiteira, é mais ou menos o seguinte:

1 - A OAS ergue a Arena, linda, maravilhosa, exuberante, moderna e tudo mais numa área total de 32 hectares.

2 - O espaço do Grêmio, que somente poderá ser chamado de seu depois de 20 anos, é de 4,9 hectares. Toda a área restante, 27,1 hectares e o que nela for erguido, é da OAS. Nem um mísero campo suplementar sobrou para o clube.

3 - Para receber essa reluzente Arena, com capacidade para 53 mil pessoas, o Grêmio entrega uma área de 8,8 hectares que é quase o dobro da que receberá, com um imóvel usado, mas em bom estado, e que é exclusivamente seu.

Vale a pena uma leitura atenta do relatório, feito por gente idônea e capacitada. Há muitos detalhes preocupantes e intrigantes, para dizer o mínimo.

E pensar que tinha (e ainda tem?) gremista brigando com gremista por causa da Arena.

Só uma perguntinha: por que a nação gremista não teve acesso antes a esse documento, se tudo era para ser 'transparente'?

Bem, acho que está chegando a hora de olhar com um pouco mais de carinho para o projeto de reforma e modernização do Olímpico.

O importante não é o lugar em que se mora, mas como se mora.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Tcheco e as arbitragens: a arte de deixar no time na mão

Tcheco reclama dos árbitros. Perseguição contra o Grêmio, disse ele, ontem, depois de outro jogo em que ganhou cartão amarelo por reclamação.

Jogador experiente, tarimbado, conhecedor dos atalhos dos gramados e das manhas dos apitadores, deveria ser uma bússola a guiar os mais jovens, os mais afoitos.

Ao contrário, é um líder negativo na abordagem aos juizes. Um exemplo nefasto, que compromete todo um trabalho. Pode até ser uma liderança positiva no vestiário em outros aspectos, mas dentro de campo ele estimula os colegas a também reclamarem.

Tcheco, que já havia deixado o time na mão no Gre-Nal ao ser expulso - de novo por reclamação - contra o Coritiba. Deu até a impressão de que estava querendo escapar do clássico. Mas foi só uma impressão. Forte, mas uma impressão. Afinal, ele não teria razão para fugir de um Gre-Nal. Ou teria?

Aí, ele volta ao time, que estava abalado pela derrota no Beira-Rio, e de novo leva o cartão amarelo. Qual a credibilidade desse jogador (veterano jogador), que cansei de elogiar aqui por sua técnica, inteligência e visão de jogo, para levantar qualquer tipo de suspeita contra a arbitragem?

Se tivesse um comando forte no clube, desde a presidência até o vestiário, esse jogador seria punido duplamente por ser reincidente sistemático. Useiro e vezeiro, como diria um personagem antigo da TV.

EM TEMPO

Por que Paulo Autuori não deu entrevista depois do jogo contra o Avaí? Estava irritado, ao que parece. E com razão: é muita gente levando cartão por reclamação. A continuar assim, ele terá desculpa por seu fracasso no Grêmio.

QUESTÃO DE ORDEM

O Inter é RS no Campeonato Brasileiro. O simpático e afável Duda Kroeff diz que o Grêmio vai ganhar todos os jogos que faltam e vai entrar no G-4. E eu vou ganhar na Megasena, é mais fácil. Sobre o Inter, grande jogo contra São Paulo. Se tivesse jogado assim contra o Grêmio, teria goleado.

DIZEM POR AÍ...

... que Celso Roth vai, de novo, morrer na praia.

(escrevo quando o Atlético está perdendo para o Flu por 2 a 1).

DIZEM POR AÍ...

... que os doutos do Grêmio e alguns torcedores neófitos agora vão desistir do Washington, vaiado até por sua torcida.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

SP larga Washington e Borges. Quer Maxi López

Quais os mais espertos e conhecedores, os dirigentes do Grêmio ou os do São Paulo? Não conheço os do SP, mas conheço os daqui.

O SP já acertou com o Fernandinho, do Barueri, e com o Marcelinho Paraíba, que os doutos do Olímpico desdenharam. Preferiram Herrera, e olha que tem gente que gostou de ver o argentino de volta ('ele é guerreiro, lutador', diziam).

Agora, o SP cresce os olhos para cima do Maxi Lopez. Se o Grêmio não bancar os R$ 4,5 milhões que o FC Moscou quer pelo passe do argentino, o SP vai chegar junto.

Ah, mas e o Washington e o Borges? Eles simplesmente estão fora dos planos. Dos planos do SP, mas não nos do Grêmio, e de parte de sua torcida, conforme tenho percebido.

O SP não quer mais esses dois. Mas o Grêmio quer ao menos um deles. O lento e pesado Washington e o inexpressivo Borges, que nunca conseguiu se firmar. Se ele é tão bom como dizem alguns gremistas, por que o SP não o quer mais?

O SP quer o centroavante do Grêmio. Maxi López não é nenhuma maravilha, mas pelo custo benefício vale a pena investir. Seu salário é até inferior ao que recebe Washinton (150 mil contra 200 mil). O de Borges é de R$ 110 mil. No Grêmio, claro, seria o dobro, porque o Grêmio é um clube rico. Quem paga 400 e tantos mil por um técnico não é rico?

Se o SP não conseguir Maxi, vai tentar Alecsandro e Deivid. Qualquer um, menos Washington e Borges.

Quem será que entende mais de futebol, os dirigentes do Grêmio ou os do SP?

EM TEMPO

O Inter enfrenta o SP daqui a pouco. Veremos os dois atacantes do SP em campo. Não tenho palpite sobre esse jogo. Tudo pode acontecer. Agora, time por time, acho que o São Paulo é melhor, ainda mais que o Inter não terá Guinazú. Se der a lógica, o Inter perde. O Inter penou para vencer um Grêmio desfalcado de seus dois goleadores e de seu articulador, considerando-se ainda que o Grêmio jogava fora de casa onde não ganha de ninguém. É difícil que possa fazer frente ao SP.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Grêmio planeja 2010. Oremos.

O Grêmio não é TÃO ruim. A frase é do presidente Duda Kroeff, que considera, então, seu time apenas ruim.

Imagino um jogador entrando no vestiário antes do treino e comentando a desastrada declaração do presidente do clube: ‘Olha aí, gente, o pessoal engravatado diz que nós somos (ou semos, conforme o jogador) ruins’. Como vai reagir essa equipe?

Além de infeliz, a frase do Duda, que é uma pessoa muito afável - gente boa no lugar errado – está equivocada, e, pior, remete para a aterrorizante conclusão: se o time é fraco, o treinador não tem culpa.

O time do Grêmio é bom, está no nível dos demais. Tivesse um técnico capaz de tirar um pouco mais de seus jogadores, explorando suas potencialidades com mais cuidado, o Grêmio estaria hoje no G-4, ou quase ali.

Teria, por exemplo, conseguido mais duas ou três míseras vitórias fora de casa.

É muito vencer três ou quatro jogos fora do Olímpico? Que treinador é esse que vai terminar o campeonato com uma vitória apenas longe de casa? Que treinador é esse que depende tanto da torcida para vencer? É preciso pagar tanto para um treinador tão dependente de sua torcida?

Ouso afirmar, e duvido que alguém me conteste, que com Celso Roth (toc-toc-toc) o Grêmio estaria com melhor pontuação hoje no campeonato. Não é uma rendição ao Roth, mas o reconhecimento a um técnico que sabe extrair o máximo de cada jogador, embora muitas vezes acabe arrumando conflito em função de seu temperamento.

Vou ainda mais longe: Marcelo Rospide faria pior que o sr. Paulo Autuori? O sr. Autuori me parece aquele general com o peito coberto de medalhas, mas que nem sabe ao certo como elas foram parar ali.

No final do ano passado, meados de dezembro, declarei aqui no boteco sem ter sorvido um gole sequer do chopp virtual da casa, que 2009 passaria em branco para o Grêmio. Era o ‘ano que havia terminado sem ter começado’, tudo porque o sr. André Krieger e seus fiel escudeiro, o sr. Luís Onofre Meira, haviam confirmado Celso Roth para começar a temporada.

Agora, um ano depois, o sr. Meira, um gremista abnegado e trabalhador, anuncia que está planejando a próxima temporada. É de fazer gremista se contorcer, suar frio, porque se está ruim, pode ficar ainda pior.

O sr. Meira, repito, um grande gremista, é o mesmo que ajudou a ‘planejar’ este ano que ‘terminou sem ter começado’. É o mesmo que apoiou o sr. Krieger, com aval do presidente do clube, na estapafúrdia decisão de esperar 40 dias por um treinador em pleno andamento da Libertadores.

Com o agravante de que esse treinador – e eu registrei isso antes de ele vir -, apesar de seu currículo, não tem perfil para dirigir o Grêmio, e isso os doutos do futebol gremista deveriam saber e levar em consideração, já que não levaram em conta o custo dessa operação aos cofres do clube (bem, não é dinheiro do bolso deles).

Em pouco tempo, descobri – e verificamos todos nós – que o problema maior do sr. Autuori nem é tanto a questão do perfil, é mais a incapacidade avaliar corretamente os jogadores os jogos, promovendo escalações e substituições equivocadas. E isso eu realmente não sabia. Fui descobrir quando ele foi para os jogos decisivos contra o Cruzeiro, na Libertadores, com Alex Mineiro de titular.

A partir dali, percebi que o Grêmio estava mesmo mal de comando, dos gabinetes até o vestiário.

E é assim que vai entrar 2010.

Oremos.

Observação: estou pensando em transformar o boteco numa capela.

domingo, 25 de outubro de 2009

Deu a lógica

O Inter confirmou seu favoritismo. Contra um Grêmio desfalcado de Tcheco e, principalmente, de Jonas e Maxi López, e considerando ainda que o adversário é um notório perdedor em jogos fora de casa neste Campeonato, tudo indicava que o Inter venceria, credenciando-se a brigar pelo título do Brasileiro.

O que ainda sustentava o Grêmio para o embate e dava alento à sua torcida é a velha máxima “Gre-Nal é Gre-Nal”. E vice-versa.

O Grêmio foi bravo. Seus jogadores lutaram até o limite de suas forças, como costumam fazer, com uma ou outra exceção. Se já não tem sido fácil vencer, em especial fora do Olímpico, o que dizer quando aquele jogador que tem salvado o time em inúmeras oportunidades erra.

Se quando até Victor falha, pouca coisa mais resta. O goleiro gremista tem atenuante. A bola desviou numa saliência na risca da pequena área, mas não era um chute forte. Faltou reflexo. O fato é que o gol não chegou a abalar o Grêmio, o que seria perfeitamente aceitável, já que se tratava de um clássico.

Esse Grêmio de Paulo Autuori tem sido assim: calmo e sereno, até nas adversidades.

Com o gol logo no começo, o Inter poderia ter mantido aquele ímpeto inicial sob o comando do meia argentino. Mas nitidamente o time se mostrou satisfeito com a vantagem. O técnico Mário Sérgio posicionou sua equipe mais atrás, preocupado não se sabe exatamente com o quê. Com certeza não poderia ser com Perea, de atuação apática, mostrando que Herrera é quem deveria ter começado.

Ah, havia Douglas Costa. O garoto estava bem, driblava, se movimentava e dava trabalho aos atentos marcadores colorados. Sua saída no intervalo foi surpreendente.

Herrera entrou disposto como sempre, mas não era Douglas Costa quem deveria sair. Talvez Rochemback, de atuação decepcionante.

Mas os técnicos hoje são assim: primeiro é jogar para não perder. Depois, para perder por pouco. Se Autuori não queria levar mais gols, Mário Sérgio temia levar um e colocar em risco uma vitória que se encaminhava tranquila diante de um Grêmio sem a menor ousadia. Deu a lógica.

EM TEMPO

O Inter venceu o Gre-Nal. Jogou um futebol pragmático, buscando os três pontos que o credenciam a seguir na disputa pelo título brasileiro. Mas não foi um futebol convincente. Não é jogando assim, com tamanha penúria ofensiva, que o time será campeão. Ontem, nem a defesa chegou realmente a ser testada.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O clássico dos poltrões

O botequeiro Francisco, parceiro de muitas rodadas, acabou com a minha tese (Lúcio no meio-campo e Colaço na lateral-esquerda) sem dó nem piedade, assim como faz quando vai talhando um pernil de ovelha, enquanto entorna uns goles de Norteña.

O Francisco publicou a relação dos concentrados para o Gre-Nal, pelo Grêmio: "Victor e Grohe, Lúcio e Thiego, Léo, Mário, Rafael e Réver, Adilson, Rochemback, Maylson, Túlio e Willian, Douglas, Renato e Souza, Bérgson, Herrera, Perea e Roberson. Collaço está fora e assim, será Lúcio. Estou sentindo a escalação de Bérgson para que seja o homem grenal e renovar o contrato...".

Bruno Colaço saiu do time titular, foi para o banco e agora nem concentra. Estranho.

Confesso que superestimei o filósofo. Pelo jeito, ele vai mesmo com três volantes. Por momentos pensei que ele fosse um pouco mais ousado. Pode dar certo? Claro. Mas o Grêmio sem seus dois goleadores, Jonas e Maxi, terá muita dificuldade de fazer gol. A saída será mesmo a bola parada (mas sem o Tcheco para lançar?), o cabeceio de Réver.

Então, consciente disso, Autuori vai se fechar para garantir o empate, e quem sabe especular um golzinho mágico. Maylson é uma boa alternativa, assim como William Magrão, que volta depois de longa parada. Se ficar no banco é sinal de que pode jogar, pelo menos parte do jogo.

Sobre Bérgson pouco sei, mas se o Francisco avaliza quem sou para contrariar.

Quem sabe o garoto não começa? Douglas Costa é uma esperança, mas não é um salvador. Até hoje não justificou tanta expectativa em torno dele. Duvido que faça isso num Gre-Nal em que o Inter está melhor arrumado, sem desfalques tão importantes quanto os do Grêmio.

O Inter, que joga em casa, com apoio de 90 por cento da torcida, é o favorito. Seu desfalque é um zagueiro, mas há substitutos de bom nível. Se Mário Sérgio for ponderado, e não inventar, o Inter deve ganhar o jogo. E pode ser até sem muita dificuldade, porque, repito, o Grêmio não terá seus dois goleadores e também o homem da bola parada de qualidade, Tcheco.

Pelos murmúrios que saem do Olímpico e do Beira-Rio, os dois técnicos estão, digamos, borrados. Eles só não querem é perder. O clássico dos poltrões.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A pauta do Boteco e o livro do Chicão

Ontem eu levantei aqui no boteco, além de vários copos de chopp, a possibilidade de que o filósofo do Olímpico escale Lúcio na meia, no lugar de Tcheco, colocando o jovem Bruno Colaço na lateral-esquerda.

Assim, o time jogaria no 4-4-2, esquema favorito do técnico, com dois volantes, dois meias e dois atacantes.

Não sei o que aconteceu, mas hoje a ideia, colocada aqui em primeira mão, foi assunto dos setoristas e de alguns comentaristas.

É o Boteco pautando a mídia.

Para fechar este brevíssimo comentário, anuncio que hoje é o dia de lançamento de mais uma pérola da literatura brasileira, quiçá universal. Te cuida Paulo Coelho. Te cuida Juremir.

O colega Chico Izidro, autor do festejado Era Vidro e se Quebrou, está lançando seu mais novo romance: Olhos Verdes.

Tem até um prefácio meu. Peguei carona no sucesso do amigo. Sou mesmo um sanguessuga, como disse um anônimo frequentador do boteco.

O livro será lançado no Memorial do RS, no antigo prédio dos Correios. Será às 18h, com direito a trago e comidinhas.

Estarei lá para brindar com o Chicão.