segunda-feira, 18 de maio de 2009

Diplomata, filósofo e competente

O dia em que Paulo Autuori cansar de ganhar muito dinheiro, de ser questionado pelos 'invictos' do futebol - como o ex-técnico da Seleção Argentina, César Menotti, se refere aos jornalistas esportivos - e de ser chamado de burro pelas torcidas, poderá se candidatar a um posto na diplomacia brasileira.

Ao ser questionado sobre quando o time teria a 'sua cara', Autuori foi rápido no gatilho:

- Não quero que o Grêmio tenha a minha cara. O time tem que ter a cara do Grêmio.
Bonito, não? Depois, ao falar sobre sua concepção de futebol:

- O futebol tem dois protagonistas: equipe e torcida. São eles que fazem o futebol ser o fenômeno que é, gerar tanta paixão. Não é o treinador, o dirigente, o jornalista.

Com isso, conquistou o time, os jogadores, colocando-os acima de tudo, inclusive dele próprio. De quebra, fez um agrado na galera.

Eu, como jornalista, não me considero protagonista. Nem poderia, é evidente. Agora, admito que tem uns coleguinhas aí que podem se enfurecer com essa frase do Autuori. 'Como assim? Eu não sou protagonista?'.

O diplomático e inteligente técnico poderia, também, disputar com o professor ou com o seu colega, Tite, um cargo de filósofo em algum curso. Pensei nisso quando li essa preciosidade:

- Nós temos que correr riscos. Só é vencedor quem tem a capacidade de se arriscar. Só assim atingiremos os objetivos que queremos.

Tem outras frases parecidas, inspiradas provavelmente em algum livro do Paulo Coelho ou do Lair Ribeiro.

Agora, nada disso importa. O que vale mesmo é resultado. Ops, parece que Autuori tem restrições a essa coisa tola, limitadora, castradora, que é o resultado.

- Falar só resultado é se acomodar -, sentenciou lá pelas tantas.

Autuori, a bem da verdade, explicou que quer ver o time também jogando bem e a partir daí vencendo. Se não me engano, o Tite disse algo muito parecido dias atrás. Será que estão lendo o mesmo livro, ou trocando emails?

Bem, se Autuori tiver no Grêmio o sucesso que Tite (não custa lembrar pela centésima vez que ele era meu técnico preferido após a saída de Mano) tem no Inter, a América será tricolor pela terceira vez.

De um modo geral, gostei das ideias do Autuori, que mostrou ser um profissional muito inteligente, esclarecido, mente aberta, bem-humorado, cordial e conhecedor de futebol.

Com Autuori com mais uns dois ou três reforços o time terá condições de brigar pelo título da Libertadores.

Sobre o esquema: acho que dá tempo pra migrar para o 4-4-2.

Nos acréscimos

Acabei de fazer uma matéria sobre o Wilson Seneme aqui no CP, 'punido' com um jogo de suspensão, não por causa do pênalti e outros erros, como o a cotovelada de um zagueiro no Tcheco. Mas porque o Souza não levou o cartão vermelho num lance em que recebeu o amarelo e depois cometeu a 'ousadia' de tocar no peito de sua majestade o árbitro. Eu, apesar de todo o meu talento futebolístico, jamais poderia ser jogador profissional. O sujeito precisa ter sangue de barata para ver um juiz 'errar' como o Seneme, e tantos outros, e ter que ficar quietinho, respeitoso e submisso. É por isso que tenho o falecido Everaldo como um dos meus ídolos no futebol: um dia ele cansou e soqueou um juiz, José Favile Neto. Foi um senhor soco. Um soco de boxeador.

Por favor, confiram a foto publicada na pagina 22 do CP desta terça-feira. Não é necessário mais nenhuma palavra sobre o que houve no Mineirão, sábado.

2 comentários:

  1. Belíssima reportagem sobre o Seneme.

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  2. Acho que dá tempo pra migrar para o 4-4-2. [2]

    Esse juíz meteu a mão. E na rodada, roubaram pro flamingo, pro sp (como sempre) e para o santos, todos jogos dentro de casa. Quero ver ajudarem aqui no Olímpico. Mais, segundo o Cacalo, esse juíz foi o mesmo que surrupiou dois penalties a favor do Grêmio no jogo contra o flamengo, no Olímpico, pelo brasileiro do ano passado. Lembro do jogo, não lembrava do juíz.

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